O Sr. Álvaro precisou resolver um problema no banco e me pediu para ficar em seu lugar no período da tarde.
Depois de uns vinte minutos que ele acabara de sair entrou um rapaz. Parecia muito nervoso e olhava para as flores expostas parecendo não vê-las de verdade.
Do balcão mesmo questionei:
- Alguma ocasião especial?
Nada de resposta.
- Posso ajudá-lo, amigo?
Silêncio.
De repente ele parou. Olhou fixamente para mim.
Naquele momento minha barriga gelou.
Não acreditei que na primeira vez que eu ficava na floricultura ia ser vítima de um assalto.
O cara ainda olhou para trás rapidamente antes de se aproximar do balcão.
Parecia que eu havia congelado, pois ao mesmo tempo que o medo aumentava eu não conseguia esboçar uma reação.
- Cara... - disse o rapaz.
- "Não é possível que a fé do Sr. Álvaro não vai me salvar agora" - pensei desesperadamente.
- Está sozinho aqui?
- Estou...
Olhou novamente para trás; enfiou a mão no bolso.
Nessa hora minhas mãos tinham virado as cataratas do suor frio. Meu coração já fazia o bolso balançar e... parecia que a calça iria pesar um pouco... ou melhor, muito no fundo...
- Veja que belezinha eu tenho aqui... Meu filho nasceu cara!!!
Naquela hora a única coisa que consegui foi dar uma gargalhada nervosa.
- Filho! Ah.. que bom cara! Parabéns!!
A máquina digital foi ligada e ele ficou explicando cada momento do parto da mulher. O bebê, segundo ele, era sua cara e iria ser um grande empresário.
- Que tipo de flores eu levo para o hospital?
O nervosismo tinha passado. Pensei: "Tem cada tipo maluco, nesse mundo..."
Mas ao mesmo tempo que me veio esse pensamento, percebi a insanidade que a violência tem gerado nas pessoas. Aquele cliente vivia um completo êxtase de felicidade. Um momento ímpar em sua vida. E eu lia aquilo tudo como um possível assalto. Um grande problema.
- Uma boa dica é esse vasinho de Prímulas.
- Esse lilás?
- Esse mesmo...
Depois de pagar o presente e me pedir ajuda para escrever o cartão, o rapaz saiu rapidamente pois disse que não queria perder nenhum minuto da companhia da mulher e do filhinho.
Para ele e pra mim, aquele sem dúvida foi um grande dia.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
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