- Oi.
- Olá, boa tarde!
- O senhor Álvaro está?
Confesso que por alguns instantes fiquei completamente perdido no tempo. Aquela moça simplesmente arrematou meus olhos como um especialista ladrão de quadros: delicadamente, precisamente...
Seus olhinhos puxados não negavam sua origem japonesa. Embora para saber se era chinesa, japonesa, tailandesa ou sei lá que “esa” asiática só descobri depois apesar de ter em suas mãos um lindo bonsai.
Mas ela usava uma tiara delicada, que ressaltava aqueles cabelos negros e lisos. Era uma mistura de fisionomia asiática com corpo brasileiro.
Ainda me lembro de sua camiseta regata escrita cherry com uma cerejinha pendurada no pé do y. Ela também usava uma calça jeans escura e sapatilhas vermelhas. Nunca tinha guardado tantos detalhes assim de alguém como naquele dia:
- Ei mocinho? Ouviu minha pergunta?
- Claro, também adoro cereja...
- O que?
- Não...Quero dizer...Sim...O senhor Álvaro está sim!
Ela não mudou a expressão de impaciência com minha lerdeza.
E eu continuava abestalhadamente parado ali. Esperando não sei o que.
Foi quando o senhor Álvaro chegou:
- Olá Yumi, boa tarde!
- Olá senhor Álvaro, como vai?
- Bem obrigado...Meu Deus! Não acredito que seu pai conseguiu.
- Sim.Está aqui seu bonsai de pequi, senhor Álvaro!
- Mas que maravilha! Assim que descobri que essa foi a arvore escolhida para ser símbolo de Minas Gerais, fiz questão de procurar uma forma de ter uma. E bem “pertim” de mim, uai...
Os dois se divertiam enquanto Yumi repassava as orientações de cuidado ditas por seu pai.
Eu, de um modo mecânico, quase anestésico fui para trás do balcão e fiquei olhando aquela belezura na floricultura. Uma flor japonesa. Uma flor de cerejeira.
Aquele foi um dia de três aprendizados simultâneos: primeiro que o coração da gente é mais bobo do que a gente pensa. Segundo que o pequi é o símbolo de Minas Gerais. E terceiro: pesquisando na Internet descobri que nomes japoneses terminados com “mi” significam beleza. Aquele era o nome mais perfeito que uma flor poderia receber...
quinta-feira, 9 de abril de 2009
sábado, 19 de julho de 2008
A Colheita
Depois da recuperacao do acidente que sofreu, Sergio antecipou uma decisao antiga. Voltou a trabalhar na floricultura do pai. Para o Sr. Alvaro foi motivo de muita alegria. Afinal ter o filho e o unico neto proximos era um sonho.
Sergio havia ser formado em Administracao feito varias especializacoes. Nao foi dificil largar o antigo emprego e conseguiu vaga como professor em uma faculdade.
Ele estava de ferias do trabalho da faculdade e pediu pra que eu o acompanhasse em uma visita a um forncedor da floricultura.
Sempre ouvi o Sr Alvaro contar em suas palestras sobre tudo o que aconteceu na vida do Sergio. Mas nunca ouvi dele mesmo sua historia.
Entre uma conversa e outra, no caminho da fazenda do forncedor, nao resisti a curiosidade:
_ Como foi esse negocio de vicio, Sergio?
Minha simplicidade a forma direta da pergunta impressionou Sergio. Mas nao o incomodou:
_ Eu entrei nessa como boa parte dos garotos, Leo. Comecei com a curiosidade de experimentar bebidas, cigarro. Sempre escondido dos meus pais, claro. A coisa complicou quando conheci uma garota por quem fiquei babando. Ela me colocou na parede e disse que pra provar meu amor por ela deveria experimentar uma coisinha. Eu relutei. Disse que jamais faria isso. Por incrivel que pareca ela nao insistiu. Nunca mais a vi, depois daquele dia. Fiquei com medo de contar isso ao meu pai, mas fiquei arrasado. Isolei-me do mundo, de tudo e de todos e meus pais ficaram loucos de preocupacao. Aquela menina mexeu com meu emocional de tal forma que perdi a razao de tudo. Depois de alguns meses de sofrimento por conta do sumico daquela paquerinha eu e um colega do colegial estavamos fazendo um trabalho escolar na casa dele. Do nada ele pediu um tempo e disse que precisava resolver um problema.
Nesse momento os olhos de Sergio encheram-se de lagrimas. Cheguei a me arrepender de ter tocado no assunto:
_ Ele acendeu um cachimbo de craque na minha frente, Leo. Sem a menor preocupacao com o que eu pensaria. E me ofereceu uma pedra pra fumar. A lembranca daquela garota me veio a tona. Nao pensei duas vezes. Foi o comeco do meu quase fim.
_ Sergio, me desculpe. Nao precisa falar mais disso.
Foi quando chegamos na porteira de entrada da fazenda e antes que eu descesse para abri-la Sergio fez questao de concluir:
_ Voce deve admirar muito o meu pai, nao e Leo?
_ Claro, Sergio.
_ Pois ele nao deve ser so admirado por ter lutado ou suficiente para me tirar do vicio. Mas por ter lutado para mudar todo um sistema equivocado na sociedade. Um sistema, que por omissao, leva os jovens de hoje ao vicio e nao os trata depois como precisariam. Ele comprou uma briga feia com a clinica em que eu estava. Os responsaveis por ela estavam acostumados a ver pais que deixavam la seus filhos e jogavam toda a responsabilidade da recuperacao a clinica. Meu pais foi um heroi. Porque se envolveu o suficiente para descobrir algumas falhas. Enfrentou a resistencia de tudo e todos com o proposito de me fazer recuperar. Mas de garantir o mesmo para os outros internos.
_ Ele e o cara, Sergio_ disse para quebrar um pouco o peso daquela conversa que iniciei.
Sergio respirou fundo. Olhou-me bem dentro dos olhos e disse:
_ Se e meu amigo. Mas tambem e um patrao exigente, viu? Vamos tratar de negocios agora, meu cumpadi!
Aquele foi um dia marcante pra mim.
Ouvir toda aquela historia acabou me mostrando que o Sr Alvaro nao foi so alguem que me deu uma oportunidade de trabalho em um momento dificil da minha vida. E sim uma pessoa que nao deixou que deixasse de existir oportunidades para uma serie de jovens que poderiam ter seus futuros jamais realizados.
Sergio havia ser formado em Administracao feito varias especializacoes. Nao foi dificil largar o antigo emprego e conseguiu vaga como professor em uma faculdade.
Ele estava de ferias do trabalho da faculdade e pediu pra que eu o acompanhasse em uma visita a um forncedor da floricultura.
Sempre ouvi o Sr Alvaro contar em suas palestras sobre tudo o que aconteceu na vida do Sergio. Mas nunca ouvi dele mesmo sua historia.
Entre uma conversa e outra, no caminho da fazenda do forncedor, nao resisti a curiosidade:
_ Como foi esse negocio de vicio, Sergio?
Minha simplicidade a forma direta da pergunta impressionou Sergio. Mas nao o incomodou:
_ Eu entrei nessa como boa parte dos garotos, Leo. Comecei com a curiosidade de experimentar bebidas, cigarro. Sempre escondido dos meus pais, claro. A coisa complicou quando conheci uma garota por quem fiquei babando. Ela me colocou na parede e disse que pra provar meu amor por ela deveria experimentar uma coisinha. Eu relutei. Disse que jamais faria isso. Por incrivel que pareca ela nao insistiu. Nunca mais a vi, depois daquele dia. Fiquei com medo de contar isso ao meu pai, mas fiquei arrasado. Isolei-me do mundo, de tudo e de todos e meus pais ficaram loucos de preocupacao. Aquela menina mexeu com meu emocional de tal forma que perdi a razao de tudo. Depois de alguns meses de sofrimento por conta do sumico daquela paquerinha eu e um colega do colegial estavamos fazendo um trabalho escolar na casa dele. Do nada ele pediu um tempo e disse que precisava resolver um problema.
Nesse momento os olhos de Sergio encheram-se de lagrimas. Cheguei a me arrepender de ter tocado no assunto:
_ Ele acendeu um cachimbo de craque na minha frente, Leo. Sem a menor preocupacao com o que eu pensaria. E me ofereceu uma pedra pra fumar. A lembranca daquela garota me veio a tona. Nao pensei duas vezes. Foi o comeco do meu quase fim.
_ Sergio, me desculpe. Nao precisa falar mais disso.
Foi quando chegamos na porteira de entrada da fazenda e antes que eu descesse para abri-la Sergio fez questao de concluir:
_ Voce deve admirar muito o meu pai, nao e Leo?
_ Claro, Sergio.
_ Pois ele nao deve ser so admirado por ter lutado ou suficiente para me tirar do vicio. Mas por ter lutado para mudar todo um sistema equivocado na sociedade. Um sistema, que por omissao, leva os jovens de hoje ao vicio e nao os trata depois como precisariam. Ele comprou uma briga feia com a clinica em que eu estava. Os responsaveis por ela estavam acostumados a ver pais que deixavam la seus filhos e jogavam toda a responsabilidade da recuperacao a clinica. Meu pais foi um heroi. Porque se envolveu o suficiente para descobrir algumas falhas. Enfrentou a resistencia de tudo e todos com o proposito de me fazer recuperar. Mas de garantir o mesmo para os outros internos.
_ Ele e o cara, Sergio_ disse para quebrar um pouco o peso daquela conversa que iniciei.
Sergio respirou fundo. Olhou-me bem dentro dos olhos e disse:
_ Se e meu amigo. Mas tambem e um patrao exigente, viu? Vamos tratar de negocios agora, meu cumpadi!
Aquele foi um dia marcante pra mim.
Ouvir toda aquela historia acabou me mostrando que o Sr Alvaro nao foi so alguem que me deu uma oportunidade de trabalho em um momento dificil da minha vida. E sim uma pessoa que nao deixou que deixasse de existir oportunidades para uma serie de jovens que poderiam ter seus futuros jamais realizados.
domingo, 22 de junho de 2008
Amor Tulipa
Depois, de acertados os detalhes da decoração do seu casamento, Flavia pediu ao Sr. Álvaro uma sugestão de flores para dar ao noivo, Maurílio que estava viajando e não a acompanhou no fechamento do orçamento:
_ Grande idéia, moça...mas sua idéia consiste só em agrada-lo ou dizer alguma coisa para Maurílio com o presente?
_ Não tinha pensado nisso...mas gostei da idéia, Sr. Álvaro. O que o senhor sugere?
Ele a olhou fixamente nos olhos. Sorriu enigmaticamente e abriu a gaveta de sua mesa de trabalho.
Tirou um livro com uma capa cheia de flores. Parecia uma enciclopédia de plantas ou algo assim.
Ainda em silencio abriu uma pagina sem que Flavia visse.
Olhou mais uma vez pra ela, ajeitou os óculos, respirou fundo e disse:
_ Pois bem...você quer um amor tulipa?
_ Como? _ indagou Flavia.
O livro foi colocado na mesa onde lindas tulipas apareciam vistosas colorindo as paginas:
_ Tulipa...flor originaria da Turquia, embora muita gente pense que seja da Holanda, já que lá elas são fartas...
Flavia estava encantada com a beleza e vida daquelas flores?
_ Meu DEUS!! São maravilhosas... claro que quero um amor assim!!
Mais um sorriso enigmático do Sr. Álvaro?
_ Essas flores são sensíveis. Exigem um cuidado muito correto para que os bulbos não apodreçam. E principalmente: precisam de frio. O que no Brasil, dependendo do lugar, raramente tem.
_ Não estou entendendo onde o Sr. quer chegar...
Ignorando o comentário encostou as costas na cadeira, olhou para cima como que buscando mais informações e abruptamente olhou-a fixamente nos olhos novamente com uma das mãos no queixo:
_ Apesar do tratamento especial que hoje em dia essas plantas tem graças aos avanços tecnológicos, sua floração ocorre uma única vez por bulbo. Precisam ser substituídos ao fim da florada...
Flavia ainda buscava interpretação para aquela conversa:
_ O amor _ continuava Sr. Álvaro _ embora seja sempre representado por flores, nunca aparece como realmente dever ser: frágil, dependente de cuidados freqüentes, e principalmente do clima certo. Amor tulipa, Flavia, para mim representa o mais autentico dos amores. Quando faz frio em nosso relacionamento esse amor precisa aparecer com toda a beleza e vida que você vê nessas fotos. Mas para isso, precisa ser preparado, cuidado e mantido nos bons e maus momentos de um casamento. E se preciso for trocar os bulbos, ou seja, revermos nossos conceitos, nosso egoísmo ou nossa percepção e interesses individuais para florir novamente, precisamos faze-lo.
_ Puxa...adorei essa analogia!! Vou mandar um vaso de tulipas para o Maurílio com certeza!!
_ Mas minha sugestão não e que você presenteie seu noivo.
_Não?_ Não... minha sugestão e que compre um vaso pra você e para ele... e que vocês dois cuidem desse vaso, como inevitavelmente precisarão cuidar desse amor.
_ Grande idéia, moça...mas sua idéia consiste só em agrada-lo ou dizer alguma coisa para Maurílio com o presente?
_ Não tinha pensado nisso...mas gostei da idéia, Sr. Álvaro. O que o senhor sugere?
Ele a olhou fixamente nos olhos. Sorriu enigmaticamente e abriu a gaveta de sua mesa de trabalho.
Tirou um livro com uma capa cheia de flores. Parecia uma enciclopédia de plantas ou algo assim.
Ainda em silencio abriu uma pagina sem que Flavia visse.
Olhou mais uma vez pra ela, ajeitou os óculos, respirou fundo e disse:
_ Pois bem...você quer um amor tulipa?
_ Como? _ indagou Flavia.
O livro foi colocado na mesa onde lindas tulipas apareciam vistosas colorindo as paginas:
_ Tulipa...flor originaria da Turquia, embora muita gente pense que seja da Holanda, já que lá elas são fartas...
Flavia estava encantada com a beleza e vida daquelas flores?
_ Meu DEUS!! São maravilhosas... claro que quero um amor assim!!
Mais um sorriso enigmático do Sr. Álvaro?
_ Essas flores são sensíveis. Exigem um cuidado muito correto para que os bulbos não apodreçam. E principalmente: precisam de frio. O que no Brasil, dependendo do lugar, raramente tem.
_ Não estou entendendo onde o Sr. quer chegar...
Ignorando o comentário encostou as costas na cadeira, olhou para cima como que buscando mais informações e abruptamente olhou-a fixamente nos olhos novamente com uma das mãos no queixo:
_ Apesar do tratamento especial que hoje em dia essas plantas tem graças aos avanços tecnológicos, sua floração ocorre uma única vez por bulbo. Precisam ser substituídos ao fim da florada...
Flavia ainda buscava interpretação para aquela conversa:
_ O amor _ continuava Sr. Álvaro _ embora seja sempre representado por flores, nunca aparece como realmente dever ser: frágil, dependente de cuidados freqüentes, e principalmente do clima certo. Amor tulipa, Flavia, para mim representa o mais autentico dos amores. Quando faz frio em nosso relacionamento esse amor precisa aparecer com toda a beleza e vida que você vê nessas fotos. Mas para isso, precisa ser preparado, cuidado e mantido nos bons e maus momentos de um casamento. E se preciso for trocar os bulbos, ou seja, revermos nossos conceitos, nosso egoísmo ou nossa percepção e interesses individuais para florir novamente, precisamos faze-lo.
_ Puxa...adorei essa analogia!! Vou mandar um vaso de tulipas para o Maurílio com certeza!!
_ Mas minha sugestão não e que você presenteie seu noivo.
_Não?_ Não... minha sugestão e que compre um vaso pra você e para ele... e que vocês dois cuidem desse vaso, como inevitavelmente precisarão cuidar desse amor.
sexta-feira, 14 de março de 2008
FLORES QUE NÃO VIVEM MAIS
- Boa tarde! Flores para Dona Mirassol.
- Ah... sou eu mesma meu filho. Na verdade as flores não são para mim. São para minha filha que vem de São Paulo me visitar.
Aquela senhora tão pequena transmitia uma alegria sem tamanho ao falar. Seu cabelo impecavelmente penteado e preso e seu vestido de chita lembravam muito minha avó.
Surpreendentemente enquanto tirava o dinheiro de sua bolsinha que abria e fechava com o entrelaço de duas bolinhas ela percebeu que eu usava um MP3 player.
- Gosta de música meu filho?
- Gosto sim senhora!
- Não vou me atrever a perguntar sobre seu gosto musical, mas não posso deixar de fazer uma observação. A juventude de hoje não sabe o que é boa música e bons cantores. Você está muito apressado?
- Na verdade estou entrando no horário de almoço. É minha última entrega antes de comer.
- Aceita almoçar comigo?
- Mas a senhora nem me conhece, dona Úrsula e meu patrão não vai gostar de saber...
- Fique tranquilo! Conheço seu patrão tempo suficiente para saber que ele não contrata qualquer um. Faço questão.
O cheiro de comida vindo de dentro da casa era irresistível. E eu gostei da dona Úrsula. Resolvi aceitar.
- Sente-se aí...vou colocar mais um prato na mesa e já já comemos. Comida simples, mas espero que você goste.
- Claro dona Úrsula! Tenho certeza que está uma delícia...
Não foi difícil notar uma peça muito rara em sua sala. Ao lado da TV uma vitrola muito antiga e uma pequena coleção de discos de vinil.
- Eu prometo não aborrecer você rapaz. Aliás qual é mesmo seu nome?
- Leonardo...mas a senhora pode me chamar só de Leo.
- Muito bem, Leo - enquanto separava com carinho um disco da coleção:
- Você certamente não ouviu falar de Wilson Simonal.
Eu olhava fixamente a capa daquele LP :
- Realmente...não ouvi falar.
Ela colocou aquele disco contra seu peito respirou fundo e fitando-me começou:
- O que boa parte desses artistas gostariam de ser hoje expondo sem limites sua vida pública e fazendo de tudo para aparecer, quando não são seus equívocos que os expoem, Simonal foi só por seu talento. Ele tinha voz, carisma e talento naturais. Você vai perceber um pouco disso ouvindo esse disco. Alías esse disco foi grandioso na minha opinião.
Eu mal acreditava no que ouvia. Dona Úrsula dominava completamente as informações daquele artista.
Colocou o disco enquanto almoçávamos: "A nova dimensão do samba" de 1964.
E realmente, apesar do tempo, aquelas músicas eram simplesmente demais.
Segundo ela Nanã e Lobo Bobo foram os grandes sucessos daquele disco.
Mas o que me impressionou mesmo foi como a vida daquele cara virou de uma hora para outra por conta de tanta inveja, preconceito e uma seqüência incrível de equívocos e injustiças contra ele. Afinal um cantor negro talentoso e bem-sucedido incomodava muita gente em sua época. E para completar foi muito triste saber que Simonal acabou morrendo sem saber que se provou o óbvio: sua inocência.
Saí da casa de dona Úrsula com muita curiosidade sobre mais informações sobre aquele artista e estava, no fim-de-semana, disposto a pesquisar mais coisas na Internet.
Mas saí também pensando o quanto nossa vida é tão frágil e tão sujeita a acontecimentos ruins, sejam por nossa inconseqüência ou seja por inveja ou preconceito de outras pessoas.
E que a justiça e a verdade são invencíveis, mesmo que sua batalha seja longa.
- Ah... sou eu mesma meu filho. Na verdade as flores não são para mim. São para minha filha que vem de São Paulo me visitar.
Aquela senhora tão pequena transmitia uma alegria sem tamanho ao falar. Seu cabelo impecavelmente penteado e preso e seu vestido de chita lembravam muito minha avó.
Surpreendentemente enquanto tirava o dinheiro de sua bolsinha que abria e fechava com o entrelaço de duas bolinhas ela percebeu que eu usava um MP3 player.
- Gosta de música meu filho?
- Gosto sim senhora!
- Não vou me atrever a perguntar sobre seu gosto musical, mas não posso deixar de fazer uma observação. A juventude de hoje não sabe o que é boa música e bons cantores. Você está muito apressado?
- Na verdade estou entrando no horário de almoço. É minha última entrega antes de comer.
- Aceita almoçar comigo?
- Mas a senhora nem me conhece, dona Úrsula e meu patrão não vai gostar de saber...
- Fique tranquilo! Conheço seu patrão tempo suficiente para saber que ele não contrata qualquer um. Faço questão.
O cheiro de comida vindo de dentro da casa era irresistível. E eu gostei da dona Úrsula. Resolvi aceitar.
- Sente-se aí...vou colocar mais um prato na mesa e já já comemos. Comida simples, mas espero que você goste.
- Claro dona Úrsula! Tenho certeza que está uma delícia...
Não foi difícil notar uma peça muito rara em sua sala. Ao lado da TV uma vitrola muito antiga e uma pequena coleção de discos de vinil.
- Eu prometo não aborrecer você rapaz. Aliás qual é mesmo seu nome?
- Leonardo...mas a senhora pode me chamar só de Leo.
- Muito bem, Leo - enquanto separava com carinho um disco da coleção:
- Você certamente não ouviu falar de Wilson Simonal.
Eu olhava fixamente a capa daquele LP :
- Realmente...não ouvi falar.
Ela colocou aquele disco contra seu peito respirou fundo e fitando-me começou:
- O que boa parte desses artistas gostariam de ser hoje expondo sem limites sua vida pública e fazendo de tudo para aparecer, quando não são seus equívocos que os expoem, Simonal foi só por seu talento. Ele tinha voz, carisma e talento naturais. Você vai perceber um pouco disso ouvindo esse disco. Alías esse disco foi grandioso na minha opinião.
Eu mal acreditava no que ouvia. Dona Úrsula dominava completamente as informações daquele artista.
Colocou o disco enquanto almoçávamos: "A nova dimensão do samba" de 1964.
E realmente, apesar do tempo, aquelas músicas eram simplesmente demais.
Segundo ela Nanã e Lobo Bobo foram os grandes sucessos daquele disco.
Mas o que me impressionou mesmo foi como a vida daquele cara virou de uma hora para outra por conta de tanta inveja, preconceito e uma seqüência incrível de equívocos e injustiças contra ele. Afinal um cantor negro talentoso e bem-sucedido incomodava muita gente em sua época. E para completar foi muito triste saber que Simonal acabou morrendo sem saber que se provou o óbvio: sua inocência.
Saí da casa de dona Úrsula com muita curiosidade sobre mais informações sobre aquele artista e estava, no fim-de-semana, disposto a pesquisar mais coisas na Internet.
Mas saí também pensando o quanto nossa vida é tão frágil e tão sujeita a acontecimentos ruins, sejam por nossa inconseqüência ou seja por inveja ou preconceito de outras pessoas.
E que a justiça e a verdade são invencíveis, mesmo que sua batalha seja longa.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Pétalas
O abraço de Valquíria em meio a lágrimas foi o suficiente para toda aquela fortaleza de Álvaro se desfazer:
- Calma meu irmão... foi só um susto. DEUS não permitiu que você perdesse seu filho.
Naquele instante o mesmo flashback de momentos que viveu com o Sérgio veio à tona.
E foi então que mesmo com o rosto molhado pelas lágrimas, respirou fundo:
- Que bom Val. Então não é nada grave? E Stela e o Júnior?
- Os três precisarão ficar em observação. O Júnior fraturou uma costela e Stela ficou com algumas escoriações. Sérgio chegou a desmaiar, mas passa bem. Foi um milagre meu irmão. O motorista do outro carro faleceu. Os policiais rodoviários disseram que provavelmente ele estava muito bêbado e perdeu o controle do carro. E por DEUS não matou seu filho e a família dele.
- Lembre-me, por favor, de depois tentar conseguir o endereço de possíveis familiares e...
- Já fiz isso Álvaro... até parece que não te conheço, meu irmão.
Um sorriso aliviado inundou o semblante de Álvaro:
- Preciso ligar para Lúcia. Ela nem imagina o que aconteceu. Aliás... farei melhor: vou vê-los rapidamente e vou para casa buscá-la.
Certificou-se de todas as informações necessárias sobre o estado deles, visitou cada um em seu quarto mas só pôde falar com Stela e Júnior pois Sérgio ainda estava sedado.
Ao chegar em casa o cheiro de bolo de maracujá preenchia todos os cômodos do apartamento.
Lúcia acabara de tomar banho e estava preparando chá de erva-doce para ele.
Ao olhar o ramalhete teve um sentimento estranho:
- Lisianthus? A última vez que você trouxe-me um ramalhete delas de presente foi...
- Exatamente minha flor - Álvaro a interrompeu com um beijo - quando nosso filho nasceu de novo.
- E por que essas flores novamente Álvaro?
- Porque DEUS deu nova chance não só ao Sérgio como à Stela e ao Júnior. Nossos 3 S´s nasceram de novo, meu amor. Sente-se aqui que vou contar tudo.
Com uma tranquilidade e um amor únicos, Álvaro explicou todos os detalhes desde o telefonema no auditório e tomou todo o cuidado para não assustar Lúcia.
Seu coração de mãe não estava errado ao ver aquelas flores.
Lúcia insistiu para que Álvaro tomasse um banho antes de voltar ao hospital para descansar mais o corpo e a mente. Fizeram juntos uma oração de agradecimento por aquela bênção e se dirigiram para lá.
- Calma meu irmão... foi só um susto. DEUS não permitiu que você perdesse seu filho.
Naquele instante o mesmo flashback de momentos que viveu com o Sérgio veio à tona.
E foi então que mesmo com o rosto molhado pelas lágrimas, respirou fundo:
- Que bom Val. Então não é nada grave? E Stela e o Júnior?
- Os três precisarão ficar em observação. O Júnior fraturou uma costela e Stela ficou com algumas escoriações. Sérgio chegou a desmaiar, mas passa bem. Foi um milagre meu irmão. O motorista do outro carro faleceu. Os policiais rodoviários disseram que provavelmente ele estava muito bêbado e perdeu o controle do carro. E por DEUS não matou seu filho e a família dele.
- Lembre-me, por favor, de depois tentar conseguir o endereço de possíveis familiares e...
- Já fiz isso Álvaro... até parece que não te conheço, meu irmão.
Um sorriso aliviado inundou o semblante de Álvaro:
- Preciso ligar para Lúcia. Ela nem imagina o que aconteceu. Aliás... farei melhor: vou vê-los rapidamente e vou para casa buscá-la.
Certificou-se de todas as informações necessárias sobre o estado deles, visitou cada um em seu quarto mas só pôde falar com Stela e Júnior pois Sérgio ainda estava sedado.
Ao chegar em casa o cheiro de bolo de maracujá preenchia todos os cômodos do apartamento.
Lúcia acabara de tomar banho e estava preparando chá de erva-doce para ele.
Ao olhar o ramalhete teve um sentimento estranho:
- Lisianthus? A última vez que você trouxe-me um ramalhete delas de presente foi...
- Exatamente minha flor - Álvaro a interrompeu com um beijo - quando nosso filho nasceu de novo.
- E por que essas flores novamente Álvaro?
- Porque DEUS deu nova chance não só ao Sérgio como à Stela e ao Júnior. Nossos 3 S´s nasceram de novo, meu amor. Sente-se aqui que vou contar tudo.
Com uma tranquilidade e um amor únicos, Álvaro explicou todos os detalhes desde o telefonema no auditório e tomou todo o cuidado para não assustar Lúcia.
Seu coração de mãe não estava errado ao ver aquelas flores.
Lúcia insistiu para que Álvaro tomasse um banho antes de voltar ao hospital para descansar mais o corpo e a mente. Fizeram juntos uma oração de agradecimento por aquela bênção e se dirigiram para lá.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Depois de receber os cumprimentos dos últimos ouvintes tirou do bolso o lenço branco; enxugou a testa e a nuca; afrouxou lentamente o nó da gravata enquanto descia a escada aguardado calmamente pelo responsável por fechar o auditório.
Parou.
Olhou as cadeiras vazias lembrando-se das expressões de cada espectador.
Como se voltasse no tempo, viu aquela senhora de meia-idade enxugando as lágrimas enquanto segurava uma foto. A dor daquela mulher parecia um adorno triste em seu semblante. Lembrou muito sua nora.
- Os equipamentos vão ficar, senhor? - A voz o interrompeu da lembrança e quando esboçou responder o celular tocou.
Procurou pelos óculos até perceber que os estava usando. O celular tocava cada vez mais alto e, embora não conhecesse, insistia em lembrar de quem seria aquele número:
- Alô.
Ouviu a voz de uma moça que confirmou seu nome, o de seu filho, nora e neto.
Hesitou um pouco. Tirou os óculos e sentou-se vagarosamente no último degrau do palco do auditório.
Outra vez o lenço. Agora para tapar os olhos enquanto ouvia aquela voz sem nome.
Olhou para o relógio. Nem prestou atenção nas horas.
- Quando foi isso? - perguntou anestesiado pelo notícia.
A moça gentilmente prestou todas as informações e o esperou anotar o endereço.
Ao desligar o celular, já tinha os olhos marejados.
Olhou firme para a porta.
O senhor que o aguardava pareceu pressentir a tragédia. Aproximou-se lentamente e sem dizer nada estendeu a mão direita para apoiá-lo a se levantar.
Saiu do auditório e chegou ao estacionamento com as chaves do carro na mão.
Sem ainda acionar a ignição, escorou a cabeça no volante e chorou silenciosamente.
Outra vez toca o celular:
- Álvaro - a voz inconfundível da irmã - já estou no hospital. Estamos esperando você. Força meu irmão!
- Ok...
A voz custou sair.
Ligou o carro, respirou fundo e foi para o hospital.
Enquanto dirigia, as lembranças do filho vinham em uma seqüência desordenada. Parecia que os acontecimentos surgiam na mente de forma contrária: o nascimento do neto, o casamento do filho, a despedida da clínica de recuperação... tudo vinha misturado.
O motorista que estava atrás buzinou duas vezes até que Álvaro acordou das lembranças e viu que o sinal tinha ficado verde.
Como de costume, antes de sair do carro, já no estacionamento do hospital, tentou desligar o som do carro quando percebeu que nem o havia ligado.
Olhou para as mãos meio trêmulas, saiu do carro e seguiu rumo à recepção.
Pegou o celular:
- Leo?
- Sim, senhor Álvaro!
- Preciso que você, amanhã, abra a floricultura para mim, ok?
- Ok, mas algum problema?
- Não sei ainda... mais tarde te ligo novamente. Tenho que desligar.
Parou.
Olhou as cadeiras vazias lembrando-se das expressões de cada espectador.
Como se voltasse no tempo, viu aquela senhora de meia-idade enxugando as lágrimas enquanto segurava uma foto. A dor daquela mulher parecia um adorno triste em seu semblante. Lembrou muito sua nora.
- Os equipamentos vão ficar, senhor? - A voz o interrompeu da lembrança e quando esboçou responder o celular tocou.
Procurou pelos óculos até perceber que os estava usando. O celular tocava cada vez mais alto e, embora não conhecesse, insistia em lembrar de quem seria aquele número:
- Alô.
Ouviu a voz de uma moça que confirmou seu nome, o de seu filho, nora e neto.
Hesitou um pouco. Tirou os óculos e sentou-se vagarosamente no último degrau do palco do auditório.
Outra vez o lenço. Agora para tapar os olhos enquanto ouvia aquela voz sem nome.
Olhou para o relógio. Nem prestou atenção nas horas.
- Quando foi isso? - perguntou anestesiado pelo notícia.
A moça gentilmente prestou todas as informações e o esperou anotar o endereço.
Ao desligar o celular, já tinha os olhos marejados.
Olhou firme para a porta.
O senhor que o aguardava pareceu pressentir a tragédia. Aproximou-se lentamente e sem dizer nada estendeu a mão direita para apoiá-lo a se levantar.
Saiu do auditório e chegou ao estacionamento com as chaves do carro na mão.
Sem ainda acionar a ignição, escorou a cabeça no volante e chorou silenciosamente.
Outra vez toca o celular:
- Álvaro - a voz inconfundível da irmã - já estou no hospital. Estamos esperando você. Força meu irmão!
- Ok...
A voz custou sair.
Ligou o carro, respirou fundo e foi para o hospital.
Enquanto dirigia, as lembranças do filho vinham em uma seqüência desordenada. Parecia que os acontecimentos surgiam na mente de forma contrária: o nascimento do neto, o casamento do filho, a despedida da clínica de recuperação... tudo vinha misturado.
O motorista que estava atrás buzinou duas vezes até que Álvaro acordou das lembranças e viu que o sinal tinha ficado verde.
Como de costume, antes de sair do carro, já no estacionamento do hospital, tentou desligar o som do carro quando percebeu que nem o havia ligado.
Olhou para as mãos meio trêmulas, saiu do carro e seguiu rumo à recepção.
Pegou o celular:
- Leo?
- Sim, senhor Álvaro!
- Preciso que você, amanhã, abra a floricultura para mim, ok?
- Ok, mas algum problema?
- Não sei ainda... mais tarde te ligo novamente. Tenho que desligar.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
GIRASSÓIS...
- Conferiu o endereço, Leo?
- Conferi sim, Sr. Álvaro. E onde está o cartão?
- Não... esse pedido não tem cartão. Quem vai receber os girassóis é quem encomendou. Anote por favor o nome: Inácio. Eu me esqueci de colocar na nota.
- Beleza... Inácio.
- Dirija com cuidado, mas não demore, hein rapaz! Ainda tem muita entrega para fazer hoje.
- Deixa comigo, Sr. Álvaro.
Arrumei cuidadosamente os girassóis no porta-cargas da moto e dirigi-me ao endereço.
A casa era bem simples.
Antes de tocar a campainha ouvi uma música... Dessas clássicas... não sei o nome.
- Quem é? - disse a voz rouca lá de dentro.
- É da floricultura Rosa de Saron.
- Ah.. só um minuto.
Um senhor bem franzino abriu a porta. Usava óculos escuros, uma camiseta cavada azul e uma bermuda amarela.
Tirou os óculos bem devagar. Nem me olhou. Seus olhos migraram imediatamente para o ramalhete de girassóis.
- Excelente!!
- O senhor pode assinar aqui pra mim, por favor?
O homem fitou-me nos olhos.
- Quantos anos você tem rapaz?
- Dezenove, senhor.
- Muito chão ainda... se DEUS assim quiser.
- Sabe meu jovem - dizia enquanto assinava - existem muitas coisas difíceis na vida de uma pessoa...e isso varia de um para outro... no meu caso, nada é pior do que a solidão!
- É... realmente é difícil...
Ele abriu um sorriso irônico ao me ver responder de forma tão vazia.
- Você não sabe nada disso ainda garoto!
Enquanto eu entregava os girassóis ele me questionou:
- Já ouviu falar de Van Gogh?
- Já ouvi esse nome...
Olhando para os girassóis continuou:
- Hoje me vi no lugar de Van Gogh... entre a escolha do suicídio e a de admirar girassóis.
Assustei-me com a revelação.
- Seus famosos quadros da série Girassóis revela uma fase boa de sua vida. Uma fase feliz. Mas aquele genial pintor, ícone da arte, se entregou à depressão e se matou. Perdeu a chance de pintar mais girassóis. De ter mais momentos felizes.
Fiquei calado...
O homem olhou-me bem dentro dos olhos:
- A melhor escolha, rapaz, é sempre a vida. É ela que te dá a oportunidade de ver e viver quantos girassóis quiser...
- Conferi sim, Sr. Álvaro. E onde está o cartão?
- Não... esse pedido não tem cartão. Quem vai receber os girassóis é quem encomendou. Anote por favor o nome: Inácio. Eu me esqueci de colocar na nota.
- Beleza... Inácio.
- Dirija com cuidado, mas não demore, hein rapaz! Ainda tem muita entrega para fazer hoje.
- Deixa comigo, Sr. Álvaro.
Arrumei cuidadosamente os girassóis no porta-cargas da moto e dirigi-me ao endereço.
A casa era bem simples.
Antes de tocar a campainha ouvi uma música... Dessas clássicas... não sei o nome.
- Quem é? - disse a voz rouca lá de dentro.
- É da floricultura Rosa de Saron.
- Ah.. só um minuto.
Um senhor bem franzino abriu a porta. Usava óculos escuros, uma camiseta cavada azul e uma bermuda amarela.
Tirou os óculos bem devagar. Nem me olhou. Seus olhos migraram imediatamente para o ramalhete de girassóis.
- Excelente!!
- O senhor pode assinar aqui pra mim, por favor?
O homem fitou-me nos olhos.
- Quantos anos você tem rapaz?
- Dezenove, senhor.
- Muito chão ainda... se DEUS assim quiser.
- Sabe meu jovem - dizia enquanto assinava - existem muitas coisas difíceis na vida de uma pessoa...e isso varia de um para outro... no meu caso, nada é pior do que a solidão!
- É... realmente é difícil...
Ele abriu um sorriso irônico ao me ver responder de forma tão vazia.
- Você não sabe nada disso ainda garoto!
Enquanto eu entregava os girassóis ele me questionou:
- Já ouviu falar de Van Gogh?
- Já ouvi esse nome...
Olhando para os girassóis continuou:
- Hoje me vi no lugar de Van Gogh... entre a escolha do suicídio e a de admirar girassóis.
Assustei-me com a revelação.
- Seus famosos quadros da série Girassóis revela uma fase boa de sua vida. Uma fase feliz. Mas aquele genial pintor, ícone da arte, se entregou à depressão e se matou. Perdeu a chance de pintar mais girassóis. De ter mais momentos felizes.
Fiquei calado...
O homem olhou-me bem dentro dos olhos:
- A melhor escolha, rapaz, é sempre a vida. É ela que te dá a oportunidade de ver e viver quantos girassóis quiser...
Assinar:
Comentários (Atom)
