Depois da recuperacao do acidente que sofreu, Sergio antecipou uma decisao antiga. Voltou a trabalhar na floricultura do pai. Para o Sr. Alvaro foi motivo de muita alegria. Afinal ter o filho e o unico neto proximos era um sonho.
Sergio havia ser formado em Administracao feito varias especializacoes. Nao foi dificil largar o antigo emprego e conseguiu vaga como professor em uma faculdade.
Ele estava de ferias do trabalho da faculdade e pediu pra que eu o acompanhasse em uma visita a um forncedor da floricultura.
Sempre ouvi o Sr Alvaro contar em suas palestras sobre tudo o que aconteceu na vida do Sergio. Mas nunca ouvi dele mesmo sua historia.
Entre uma conversa e outra, no caminho da fazenda do forncedor, nao resisti a curiosidade:
_ Como foi esse negocio de vicio, Sergio?
Minha simplicidade a forma direta da pergunta impressionou Sergio. Mas nao o incomodou:
_ Eu entrei nessa como boa parte dos garotos, Leo. Comecei com a curiosidade de experimentar bebidas, cigarro. Sempre escondido dos meus pais, claro. A coisa complicou quando conheci uma garota por quem fiquei babando. Ela me colocou na parede e disse que pra provar meu amor por ela deveria experimentar uma coisinha. Eu relutei. Disse que jamais faria isso. Por incrivel que pareca ela nao insistiu. Nunca mais a vi, depois daquele dia. Fiquei com medo de contar isso ao meu pai, mas fiquei arrasado. Isolei-me do mundo, de tudo e de todos e meus pais ficaram loucos de preocupacao. Aquela menina mexeu com meu emocional de tal forma que perdi a razao de tudo. Depois de alguns meses de sofrimento por conta do sumico daquela paquerinha eu e um colega do colegial estavamos fazendo um trabalho escolar na casa dele. Do nada ele pediu um tempo e disse que precisava resolver um problema.
Nesse momento os olhos de Sergio encheram-se de lagrimas. Cheguei a me arrepender de ter tocado no assunto:
_ Ele acendeu um cachimbo de craque na minha frente, Leo. Sem a menor preocupacao com o que eu pensaria. E me ofereceu uma pedra pra fumar. A lembranca daquela garota me veio a tona. Nao pensei duas vezes. Foi o comeco do meu quase fim.
_ Sergio, me desculpe. Nao precisa falar mais disso.
Foi quando chegamos na porteira de entrada da fazenda e antes que eu descesse para abri-la Sergio fez questao de concluir:
_ Voce deve admirar muito o meu pai, nao e Leo?
_ Claro, Sergio.
_ Pois ele nao deve ser so admirado por ter lutado ou suficiente para me tirar do vicio. Mas por ter lutado para mudar todo um sistema equivocado na sociedade. Um sistema, que por omissao, leva os jovens de hoje ao vicio e nao os trata depois como precisariam. Ele comprou uma briga feia com a clinica em que eu estava. Os responsaveis por ela estavam acostumados a ver pais que deixavam la seus filhos e jogavam toda a responsabilidade da recuperacao a clinica. Meu pais foi um heroi. Porque se envolveu o suficiente para descobrir algumas falhas. Enfrentou a resistencia de tudo e todos com o proposito de me fazer recuperar. Mas de garantir o mesmo para os outros internos.
_ Ele e o cara, Sergio_ disse para quebrar um pouco o peso daquela conversa que iniciei.
Sergio respirou fundo. Olhou-me bem dentro dos olhos e disse:
_ Se e meu amigo. Mas tambem e um patrao exigente, viu? Vamos tratar de negocios agora, meu cumpadi!
Aquele foi um dia marcante pra mim.
Ouvir toda aquela historia acabou me mostrando que o Sr Alvaro nao foi so alguem que me deu uma oportunidade de trabalho em um momento dificil da minha vida. E sim uma pessoa que nao deixou que deixasse de existir oportunidades para uma serie de jovens que poderiam ter seus futuros jamais realizados.
sábado, 19 de julho de 2008
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